Existe uma crença de que pele oleosa precisa ser lavada várias vezes ao dia, com produto potente e adstringente, com aquela sensação de pele repuxando depois da lavagem.
A pele do rosto é recoberta por um manto de lipídios e microrganismos que funciona como escudo natural. Esse manto impede a perda de água, protege contra microrganismos e participa da imunidade. Quando ele é agredido várias vezes ao dia, na tentativa de controlar a oleosidade, os lipídios estruturais da barreira saem junto com o sebo da superfície, especialmente as ceramidas, o colesterol e os ácidos graxos livres.
A barreira cutânea fica desorganizada, a perda transepidérmica de água aumenta, e a glândula sebácea reage amplificando a produção de sebo para compensar o que foi retirado. A pessoa que tem pele oleosa lava por causa da oleosidade. A pele responde produzindo mais sebo.
A pessoa lava ainda mais. E o ciclo se mantém. Muita pele considerada extremamente oleosa, quando adota uma rotina coerente, se revela bem menos oleosa do que aparentava. A frequência adequada de higiene em uma pele em contexto de oleosidade é de 2 a 3 vezes ao dia.
Manhã e noite são obrigatórias, e sempre que possível, acrescentar higiene no horário do almoço ajuda na abordagem. E a escolha do produto importa tanto quanto a frequência. Surfactantes agressivos removem o manto lipídico e desorganizam a barreira, com qualquer frequência de uso. Surfactantes suaves limpam de forma eficaz sem agredir.
O pH do produto também é importante nesse contexto, devendo estar idealmente entre 4,5 e 5,5, em sintonia com o pH fisiológico da pele. Pele oleosa bem higienizada fica confortável ao toque, sem repuxar, sem ardência. Esses são sinais de uma higiene que respeita a fisiologia da pele.